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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Pai de Neymar promete puxão de orelhas e queria mais gols do filho

Principal destaque e artilheiro do Sul-americano Sub-20 com sete gols em quatro jogos, Neymar está convencendo a quase todos com a camisa da seleção brasileira. O pai do atacante, que também se chama Neymar, parece ser o único que ainda não está satisfeito com o camisa 7.
"Sempre espero mais dele. Poderia ser melhor ainda: oito gols em quatro jogos", cobrou ele, que chegou a Arequipa na noite desta segunda-feira e esteve presente no estádio para ver de perto os dois gols e a assistência do filho na goleada por 5 a 1 sobre o Chile.
Enigmático, "Neymar pai" não quis revelar o motivo, mas prometeu ter uma conversa mais séria com o garoto. "Ele já sabe mais ou menos do que se trata. Mas isso eu vou conversar depois, somente com ele", revelou, ao site oficial da Confederação Brasileira de Futebol.
O jogador, que está prestes a completar 19 anos, se disse acostumado com os conselhos e broncas do pai, mas negou insatisfação. Segundo ele, o tratamento e a proteção que recebe são importantes para sua carreira e só trazem benefícios.
Líder do hexagonal pelo saldo de gols, o Brasil ainda tem quatro jogos até o fim do torneio. Se chegar à marca de 11 gols, Neymar iguala o maior artilheiro em uma só edição da competição: o colombiano Hugo Rodallega, que atingiu o feito em 2005.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Neymar cultiva estilo descontraído, mas sabe de sua responsabilidade

Neymar: corte moicano é uma de suas marcas registradas - Foto: Cezar Loureiro - O GloboO Neymar que se apresenta para a entrevista, num dos salões do hotel que serve de concentração à seleção sub-20 em Arequipa, é parecido com o que se vê em campo. Ao ver as primeiras fotos tiradas dele, solta um “que modelo bom”. Diz estar preocupado com a hora, porque precisa ligar para a namorada e “dar assistência à distância”. Diverte e se diverte, como nos jogos.
Quando começa a responder sobre sua carreira, é um menino de 18 anos que tenta a todo custo esquivar-se das polêmicas que já o marcaram. É defensivo. Mas é revelador também. A partir de segunda, quando o Brasil estreia no hexagonal final do Sul-Americano, este menino que muito cedo vê o mundo a seus pés, tem uma responsabilidade enorme. Atingiu tal status que, se a seleção não se classificar para os Jogos Londres, o time de Neymar terá fracassado.
Cabelo moicano já é marca
Normal que meninos de 18 anos não lidem com qualquer tema com a facilidade com que Neymar dribla. Ele chega com seu cabelo moicano, brincos com brilhantes nas duas orelhas, um vistoso cordão e um relógio Dolce & Gabbana. Por vezes, na concentração, anda com a gola da camisa polo levantada. Mas jura:
— Não me preocupo com visual. Coloco a camisa e, se a gola fica levantada, nem mexo. Não procuro ser diferente dos outros. O moicano é que virou marca, será difícil derrubar.
Defensivo, mesmo, Neymar se mostra ao falar dos questionamentos sobre seu comportamento. Já houve quem o acusasse de humilhar adversários em campo, dizendo-se um menino rico. Com Dorival Júnior, no Santos, ao ser impedido de bater um pênalti, reagiu e depois se recusou a passar a bola a qualquer companheiro. Ouviu que o futebol brasileiro estava “criando um monstro”, expressão do técnico Renê Simões. Perguntado quantas vezes já foi chamado de marrento, admite:
— Muitas — afirma, para em seguida negar que tenha dado motivo. — Falam isso porque não me conhecem.
Então, quem é Neymar?
— Sou um cara feliz, extrovertido, brincalhão, amigo de todo mundo.
Curioso é que Neymar admite que o episódio com Dorival o fez mudar “um pouco o jeito e pensar melhor em tudo”. Mas rechaça que tenha extrapolado por marra.
— Foi um momento difícil. Errei feio. Mas não teve nada a ver com ter conquistado muita coisa cedo, marra, nada disso. Queria ajudar o time, fazer aquele gol de pênalti. Isso de humilhar adversário, quem me conhece sabe que eu não faço. Quanto ao Renê, se ele falou como crítica, para ajudar, eu aceito. Ninguém gosta de ser chamado de monstro. Não sou isso, mas a vida segue. Renê, Dorival, tudo isso deixei no passado, nem gosto de falar.
Ele afirma até que nunca se considerou um jogador diferente, pelo talento que tem.
— Sou igual a todos. Tenho dois braços, duas pernas...
O futebol entrou muito cedo na vida de Neymar e provocou a transformação com que todo jovem bom de bola e de origem humilde sonha. O craque conta que já deu casa própria para os pais, ajudou avós. Deixou para trás uma proposta do Chelsea, tem multa rescisória superior a R$ 100 milhões no Santos e salário altíssimo.
Poderoso aos 18 anos, Neymar não consegue olhar para o futuro e imaginar o que virá, por exemplo, em dez anos.
— Vou por objetivos. Cada dia de uma vez. Se não, daqui a cinco anos você percebe que não foi tudo aquilo que pensou. Tento fazer cada dia, cada jogo, valer a pena.
E valer a pena, para ele, tem tudo a ver com a alegria do drible, do toque de efeito:
— Cada um tem seu estilo. O meu é o drible, o gol. Não acredito que um técnico vá pedir para eu não fazer isso. Se pedir, vou acatar. Mas todos me dizem para tentar e passar na hora certa.

'Meu sonho é sentar no sofá e ver os filhos correndo pela casa'

Neymar conta que seu maior desejo no momento é conhecer a Disney e, daqui a 20 anos, poder curtir pelo menos três filhos


Jogador mais badalado do momento do futebol brasileiro, estrela absoluta da seleção sub-20 que está no Peru atrás de uma vaga nos Jogos Olímpicos de Londres - a estreia na segunda fase é contra o Chile, às 22 horas de segunda-feira-, e apontado por grande parte da crítica especializada como futuro melhor jogador do mundo. Na semana que antecede seu 19.º aniversário (completa no dia 5), Neymar não é apenas mais um jogador de futebol. Ele se transformou em referência, em celebridade.
Enrique Castro Mendivil/Reuters
Enrique Castro Mendivil/Reuters
Neymar é a estrela do sub-20
E tudo por causa do bom e velho futebol. E essa modalidade, que já endeusou e crucificou tantos mortais, resume a vida do craque santista. Neymar não só joga futebol, ele pensa e vive essa realidade praticamente 24 horas. São treinos, preleções, concentrações, premiações, assédio, compromissos comerciais, enfim, um leque de responsabilidades sempre associadas ao esporte bretão.
Mas o que o astro faz nos raríssimos momentos em que não está envolvido com futebol? O que pensa a respeito de outros assuntos, como política? Enfim, o Estadopropôs um desafio inédito a Neymar: uma conversa na qual poderia falar sobre qualquer assunto, menos futebol. E não é que ele topou! "Vamos lá. Manda bala", disse, esfregando as mãos.
Neymar mostrou ideias coerentes com sua idade. Como qualquer jovem, quer enfrentar o mundo. "Não tenho medo de nada". E como boa parte dos adolescentes... "Minha viagem dos sonhos é ir para a Disney". O garoto surpreende ao falar do futuro. Dono de contratos milionários, Neymar não sonha tão alto. "Daqui a 20 anos me imagino em um sofazinho, assistindo meu futebol e com pelo menos três filhos correndo pela casa toda". Sim, ele já deu o primeiro passo. "Tenho uma namorada, mas é segredo", diverte-se.
Você já está no Peru há duas semanas e ficará aqui pelo menos mais duas. No total dá mais de 30 dias. Já havia feito uma viagem tão longa assim? Como se preparou para ficar tanto tempo longe de casa?Rapaz, a gente viaja muito por causa dos jogos. Mas geralmente é bate-volta. Eu nunca fiz uma viagem assim tão longa. Bate uma saudade muito grande dos amigos, da família, das pessoas que a gente ama. Mas eu vim preparado. Trouxe telefone, rádio, computador. De algum jeito eu consigo falar com as pessoas no Brasil. Ah, claro, tem o videogame, que a gente não abre mão nas concentrações.
E qual o jogo preferido?Futebol, claro!
Lembre-se que não podemos falar de futebol. E quando você está de férias, qual viagem gostaria de fazer?
Eu gostaria muito de ir para a Disney. Desde criança tenho esse desejo e ainda vou encontrar tempo para realizá-lo.
Mas não é uma viagem tão complicada de fazer...
Ih, o difícil é arrumar tempo. Mesmo quando a temporada acaba, a gente tem compromissos profissionais, campanhas para fazer. E neste último mês teve também a seleção. Além do que, quando temos tempo livre, tem de ver a tia, a avó...
E de onde vem toda essa fascinação pela Disney?
Acho que dos meus amigos de infância. Todos que foram para lá e até mesmo alguns com quem jogo falam muito bem de lá. Então tenho uma curiosidade muito grande de conhecer, me divertir por ali.
Seu aniversário é dia 5...
Tá chegando, é véspera do jogo contra a Argentina.

E o que você gostaria de ganhar como presente? E lembre-se que não podemos falar sobre futebol, portanto não vale dizer a vitória ou marcar um gol nos argentinos.

Mas era isso que eu queria (risos).
Uma pessoa como você que, apesar da pouca idade, já é bem-sucedida, tem contratos privilegiados, ainda quer presente?
Claro. Presente é sempre muito bom.
Mas tirando os objetivos profissionais, o que você gosta de ganhar?
Olha, presente vindo de qualquer pessoa é sempre muito bem-vindo.
E quando o Neymar se presenteia, se presenteia com o que?
Eu gosto muito de joia, de brincos, mas principalmente de relógios. Em viagens, sempre que tenho uma oportunidade, eu compro um.
Você é do tipo que faz coleção?
Tenho alguns e sempre que posso compro alguns. Mas não fico naquela fissura de querer comprar um de cada cor. Não tenho o costume de colecionar nada.
E o topete, o moicano?
Virou uma marca, né? Então a gente dá um trato, passa um creminho (risos).
A vida de estrela é como você imaginava antes de se tornar uma?
Olha, eu imaginava que fosse pior em relação a responsabilidades, compromissos. Mas é muito bom ter o reconhecimento e alcançar tantas coisas. Por exemplo, eu olhava o Robinho, que é meu ídolo, e queria ser como ele, reconhecido por todo mundo, jogar na seleção. E, graças a Deus, consegui tudo isso.
Qual é o lado chato desse tipo de vida?
Não tem lado chato. É bem tranquilo. Sou muito bem tratado por todos. Realmente não tenho do que me queixar.
E como você lida com o assédio. Tem alguma dica para saber se uma pessoa se aproxima só por interesse?
A gente tem sensibilidade para saber quem é seu amigo, quem não é, quem é apenas seu conhecido. Graças a Deus tenho amigos espalhados por todo o mundo e quero fazer novos, pois o que mais gosto de fazer na vida é amizade. É claro que tenho cuidado com coisas indesejáveis.
Você tem um melhor amigo?
Tenho alguns melhores amigos. Mas acho que no futebol é o Ganso, que é como um irmão para mim. A gente se conhece há muito tempo, começamos juntos lá nas divisões de base do Santos e temos uma relação muito boa. O Ganso é meu melhor amigo.
Você tem sonhos?
No futebol é ser campeão de uma Copa, mas como o papo não é sobre futebol, tenho o sonho de ter uma família.
Muitos filhos?
Muitos não. Uns três está de bom tamanho (risos).
Como você se vê daqui a 20 anos?
Nossa, daqui a 20 anos? Rapaz, espero estar no meu sofazinho chique, vendo meu futebol e com filhos correndo por todos os lados da casa.
O Brasil passou por um processo político importante, com eleições presidenciais. Você acompanhou?
Eu gosto sempre de saber o que está acontecendo, afinal de contas, são assuntos importantes para o País. Mas como a gente tem de viajar muito, concentrar muito, fica complicado acompanhar mais de perto.
Em quem você votou?
Isso eu não revelo. O voto é secreto.
E o que você considera na hora do voto?
Procuro ficar de olho no que cada um está fazendo.
Você tem algum medo na vida?
Olha, não tenho medo de nada!
Os garotos que desejam ser como você devem estar preparados para o quê?
Eles têm de estar preparados para tudo. Para lidar com gente que gosta de você, com gente que não gosta, às vezes com gente que gosta mas faz uma crítica. E, claro, com o fato de se tornar referência para muita gente, sobretudo as crianças.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Bate-bola exclusivo com o pai de Neymar

Neymar Silva Santos, o pai de Neymar, fala com exclusividade sobre sua vida e família.
Como é ser pai de um dos principais jogadores do futebol mundial?
Estou muito orgulhoso com tudo que Neymar está conquistando e torço para que a vida o molde uma grande pessoa. Além de jogador ele também é um amigo, irmão e filho, e fico muito orgulhoso de poder estar presenciando seu crescimento não só como atleta.
Como você faz para acompanhar todas as partidas de seu filho?
Sempre estive em todos os momentos em que o Neymar jogou, desde muito pequeno. Realmente não é fácil estar presente em todos os jogos, mas quando não posso ir ao estádio estou sempre ligado na televisão.
Como é o fato de lidar com a imprensa toda semana?
Somos totalmente transparentes e estamos aprendendo dia após dia com lidar com o assédio da mídia.
Quais as recomendações você faz a Neymar antes de cada jogo?
Sempre oramos antes de cada partida, seja ela importante ou não. E em qualquer situação, sempre digo a ele que nunca devemos esquecer de Deus.
Como é a rotina familiar?
Somos pessoas comuns e simples. Como qualquer familia nos amamos muito. Aproveitamos muito todas as oportunidades quando estamos todos reunidos.
E nas suas idas ao estádio, a torcida mexe muito com você?
Bastante, alguns torcedores pedem pose para fotos, outros dão conselho, mas é tudo sempre legal, alguns querem até mesmo participar da educação d0 Neymar. Tem de tudo um pouco.
Sobre a educação de Neymar, qual a sua maior preocupação?
Não tenho uma grande preocupação, mas de que ele esteja sempre aprendendo e se desenvolvendo a cada dia.
Qual sua orientação para os pais dos atletas que estão começando carreira agora?
Participar, estar bem próximo desde o começo, mas dando liberdade de decisões, acho isso fundamental.
Como é feito o Planejamento familiar em sua casa?
Todos em casa dão opinião, mas no final eu que decido… hahahahahaha…
Sobre a Nadine?
É o alicerce do lar. Ela que mantém todos na linha.
Sobre seus filhos?
Fomos abençoados com a Rafaella e o Neymar. São nossas maiores jóias. A melhor coisa é quando podemos desfrutar de suas presenças.